Criada por IA, música com vozes famosas vira fenômeno e é derrubada das plataformas
- William Santos
- 26 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Nos últimos dias, a música “Sina de Ofélia”, criada por fãs com o uso de inteligência artificial, passou a circular nas redes sociais e rapidamente ganhou destaque, especialmente no TikTok. A canção, que também ficou conhecida como “Funk the Ophelia”, é descrita como uma versão “inspirada” — ou, segundo críticos, muito próxima — de “The Fate of Ophelia”, música atribuída à cantora norte-americana Taylor Swift no álbum The Life of a Showgirl.
A produção utilizou vozes artificiais semelhantes às de Luísa Sonza e Dilsinho e se espalhou por meio de vídeos curtos, compartilhamentos e reações do público. Em pouco tempo, o conteúdo ultrapassou 30 milhões de reproduções somadas em diferentes plataformas, consolidando-se como um fenômeno digital e chamando a atenção da indústria musical.
No YouTube, a canção chegou a superar 1 milhão de visualizações no canal Track B Music antes de ser removida. A retirada, no entanto, não impediu a continuidade da circulação da música, que passou a ser republicada por diversas outras contas, inclusive em versões adaptadas para o ritmo de pagode.
A repercussão aumentou após Luísa Sonza publicar um vídeo em suas redes sociais dublando a canção, registro que ultrapassou 6 milhões de visualizações e ampliou ainda mais o alcance do debate. Diante da viralização, a Republic Records, gravadora responsável pelos lançamentos de Taylor Swift e detentora dos direitos autorais da obra original, solicitou a remoção da faixa do Spotify.
O caso evidenciou uma zona cinzenta no setor musical, ao tratar-se de um conteúdo que não é single oficial, feat autorizado ou lançamento estratégico, mas que, ainda assim, alcançou grande impacto popular. A situação reacendeu discussões sobre direitos autorais, ética e os limites do uso da inteligência artificial na criação artística.
A letra da canção faz referência à personagem Ofélia, da peça Hamlet, de William Shakespeare. Na obra, a personagem é marcada pela repressão familiar e sofre um colapso emocional após a morte do pai, Polônio, assassinado acidentalmente pelo príncipe Hamlet, por quem era apaixonada. Consumida pela dor, Ofélia acaba se afogando.
O episódio amplia o debate sobre os impactos da inteligência artificial no meio artístico, os riscos da substituição de artistas humanos por produções automatizadas e os desafios legais relacionados à circulação e valorização de conteúdos não autorizados.
William Santos




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