Aquisição da Warner pela Netflix levanta debate sobre concorrência e empregos nos EUA
- William Santos
- 5 de fev.
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O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, afirmou que cerca de oitenta por cento dos usuários do HBO Max também utilizam a Netflix. A declaração foi feita durante audiência no Senado dos Estados Unidos, na qual o executivo defendeu a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 82,7 bilhões.
Segundo Sarandos, a operação teria caráter “pró-competitivo” e “pró-consumidor”, ao possibilitar a oferta de maior volume de conteúdo por custo reduzido, a partir da integração dos catálogos das empresas. O executivo minimizou preocupações relacionadas a práticas antitruste e à formação de monopólio, ressaltando que o mercado de streaming permanece competitivo, com a presença de grupos como Disney/Hulu/ESPN, Amazon Prime Video e YouTube, este último responsável por parcela significativa do tempo de consumo audiovisual dos usuários.
Durante a audiência, no entanto, o debate concentrou-se nos possíveis impactos da aquisição sobre o mercado de trabalho. O senador Josh Hawley questionou Sarandos sobre o pagamento de residuais — direitos autorais pagos por reexibições — e acusou a plataforma de reduzir esses valores. Em resposta, o executivo afirmou que o tema depende de negociações coletivas futuras com sindicatos e destacou que a Netflix integra a AMPTP, entidade que representa os estúdios. A empresa também informou que os residuais atingiram níveis recordes, sendo que aproximadamente 45% do total estaria relacionado ao streaming, com predominância da própria Netflix.
No campo político, o presidente Donald Trump declarou não ter interferido no processo de aquisição, apesar de afirmar ter sido procurado por diferentes partes envolvidas. Segundo ele, caberá ao Departamento de Justiça avaliar a operação sob a ótica regulatória.

A negociação, concluída em dezembro, superou propostas concorrentes, incluindo uma oferta liderada pela Paramount. O cenário de consolidação do setor preocupa profissionais da indústria audiovisual. O cineasta Christopher Nolan classificou o momento como “muito preocupante”, destacando a redução de empregos em Hollywood, o avanço da inteligência artificial e os impactos da possível concentração entre grandes estúdios.
William Santos




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