Zé Pereira dos Lacaios mantém tradição centenária e arrasta foliões pelas ladeiras de Ouro Preto
- William Santos
- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Fundado em 1867, o Zé Pereira dos Lacaios desfila pelas ladeiras de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, e é reconhecido como o grupo carnavalesco mais antigo em atividade no Brasil, com 159 anos de história. Catitão, Baiana e Benedito são os personagens centrais do cortejo, que reúne cerca de 100 foliões pelas ruas de pedra da cidade histórica e mantém viva uma das tradições mais emblemáticas do Carnaval mineiro.

O desfile realizado no domingo (19) teve início na Rua Santa Efigênia, em frente à sede do grupo, no bairro Antônio Dias. O percurso seguiu pelo Largo de Marília e pelas ruas Bernardo Vasconcelos e Cláudio Manoel, até a Praça Tiradentes, com retorno pelo mesmo trajeto. O trajeto completo teve duração aproximada de uma hora e 30 minutos.
O personagem Catitão representa um homem português, de bigode marcante, acompanhado pela esposa, Baiana, e pelo lacaio Benedito. Segundo o presidente do bloco, a figura do lacaio faz referência aos assessores de políticos no período imperial, elemento histórico que inspira a composição do cortejo.
A Baiana desfila com turbante e carrega uma cesta com frutas e flores sobre a cabeça. Já Catitão e Benedito vestem trajes formais, com fraque e cartola preta. Catitão usa casaco amarelo, enquanto Benedito veste traje preto, reforçando o caráter simbólico da apresentação.
Criado por empregados do Palácio dos Governadores, na atual Praça Tiradentes, o Zé Pereira dos Lacaios surgiu a partir das manifestações carnavalescas realizadas pelos funcionários ao final do expediente. À época, o grupo dançava o entrudo, tradição portuguesa, e desfilava com grandes bonecos coloridos. Os mais bem elaborados eram chamados de Catitas, enquanto os de aparência mais rústica recebiam o nome de Catitões.

Com a fundação do Clube dos Lacaios, inicialmente restrito aos funcionários do Palácio, o bloco passou a adotar como alegoria as vestimentas dos lacaios mais importantes, como casacas de tecido nobre, polainas, sapatos pretos, perucas e cartolas. Os bonecos principais representavam a família do fundador: Zé Pereira, sua esposa, Baiana, e o filho homônimo. O cortejo também incluía os cariás, personagens conhecidos como “capetinhas”, que interagiam com o público durante o desfile.
A percussão do bloco é composta por tarol, caixa de guerra e clarins, com um ritmo de marcha inspirado nas formações musicais dos soldados do Palácio. Há mais de 150 anos, o Clube dos Lacaios mantém essa tradição, desfilando com lanternas coloridas iluminadas por velas e grandes bonecos que dão ritmo ao cortejo.
Reconhecido como patrimônio cultural da cidade, o Zé Pereira dos Lacaios segue arrastando multidões pelas ladeiras de Ouro Preto e mantém forte vínculo afetivo com a população local, consolidando-se como um dos símbolos mais tradicionais do Carnaval brasileiro.
William Santos




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