Os seus amores
- William Santos
- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Ele tinha três gatos e morava em uma comunidade de Ouro Preto. Mantinha uma crença constante de que o romance era possível, mesmo acreditando que viver o amor fosse uma aventura considerada louca — algo que, para ele, não deveria ser visto de forma negativa na sociedade contemporânea, onde é comum rotular pessoas como excessivamente emotivas.

Esse homem se interessava por várias mulheres, mas uma delas se destacava, evocando as palavras de Machado de Assis em Dom Casmurro ao descrever Capitu, com seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Ela lhe parecia perfeita, pois possuía um talento natural para a autenticidade. Demonstrava habilidade e dedicação em sua profissão, sendo, em sua opinião, a melhor em tudo a que se propunha. Andava pelas ruas distraída, o que conferia um charme especial à mulher que vivia sozinha, gostava de animais e de atividades físicas, como andar de bicicleta.
Ele também demonstrou interesse por uma jovem que amava pagode. Ela era totalmente gente boa, com um gosto musical peculiar: gostava apenas de pagode e vivia curtindo um som aleatório. Dedicava-se muito ao trabalho e, no amor, acreditava que o mais importante era assumir os sentimentos — como em um show do Sorriso Maroto ou do Menos É Mais. Parecia empreendedora, embora ele não compreendesse muito bem suas ideias, pois só conseguia se lembrar das cenas dos dois se beijando.

Enquanto caminhava pelas ruas de Ouro Preto, encontrou uma artista excepcional, capaz de desenhar com o coração: prédios, pessoas e casas. Sua arte representava uma mulher de bom coração, sempre em busca de melhorias para a própria vida. Ele se apaixonou pela forma como ela expressava suas ideias e se dedicava às artes, admirando aquele olhar inocente e a constante busca por aprimoramento.
Ele acreditava que a mulher com quem tivesse uma conexão verdadeira seria algo realmente fantástico, mas essa pessoa estava comprometida, presa a um relacionamento que jamais deixaria de ser tóxico. Pois o amor é algo louco e inesperado. Assim, a melhor opção foi respeitar o relacionamento alheio e manter distância.
Observando a história desse rapaz, comecei a me questionar: “Ele sabe o que é amor? Tem amor-próprio?”. Comentei isso com Vó Rita e, com suas palavras sábias, ela me transmitiu a seguinte mensagem:
— Enquanto o amor bater à sua porta, a pessoa certa demonstrará isso com um sorriso e nunca desistirá de você.
Ela completou:
— Infelizmente, não conheci o amor nem tive a oportunidade de viver essa loucura desse moço. Casei-me com um homem que não amava, esperando que tudo fosse diferente, mas não foi.

— Hoje vivo a solitude e aprendi, sozinha, a separar o que realmente importa. Nada é tão importante a ponto de tirar minha paz. Eu escolhi o amor-próprio, relatou Vó Rita.
Então comecei a perceber que aquele rapaz estava se permitindo viver as sensações humanas mais intensas e que, às vezes, nada poderia impedi-lo de se entregar às próprias paixões e descobrir o amor no momento certo. Às vezes, o amor está na Praça Tiradentes, sentado, observando a movimentação.
O óbvio estava diante de mim: eu também precisava aprender com Vó Rita as lições do amor — e cuidar da minha própria vida.

William Santos




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