Instabilidades no fornecimento de energia elétrica persistem em Ouro Preto e expõem desafios operacionais da rede
- 23 de mai.
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Moradores de diversos bairros de Ouro Preto continuam relatando oscilações e interrupções momentâneas no fornecimento de energia elétrica, popularmente conhecidas como “piscadas”, registradas há aproximadamente 15 dias em diferentes regiões do município. De acordo com os relatos, o problema foi inicialmente percebido no Morro Santana e, ao longo dos últimos dias, passou a atingir outras localidades da cidade.
Desde o dia 12 de maio, consumidores vêm registrando recorrentes oscilações e quedas no fornecimento de energia, principalmente no intervalo entre 18h30 e 19h. Ao procurarem a Cemig, moradores afirmam que, em um primeiro momento, a concessionária informou não haver irregularidades identificadas na rede elétrica.
Além do horário de pico relatado pelos consumidores, as oscilações também têm sido observadas em diferentes períodos da noite, aumentando a preocupação dos moradores, que descrevem a ocorrência de sucessivas “piscadas” no sistema elétrico. Segundo os relatos, na segunda-feira, 18 de maio, foi registrado um pico de energia; na terça-feira, 19, ocorreu uma nova oscilação; na quarta-feira, 20, foram registradas duas ocorrências; e, na quinta-feira, 21 de maio, outros dois episódios voltaram a ser percebidos pelos consumidores.
Entre os bairros afetados estão Vila Aparecida, Centro Histórico, Antônio Dias, Morro São Sebastião, Alto da Cruz, Padre Faria, Cabeças, Rosário, Maciel, Morro Santana, além de outras regiões abastecidas pelo mesmo circuito elétrico.
Especialistas alertam que oscilações de tensão e picos de energia — frequentemente associados a variações na rede elétrica ou ao restabelecimento do fornecimento após interrupções — podem ocasionar danos significativos e até a queima de aparelhos eletroeletrônicos.
Procurada pela reportagem, uma fonte da Cemig na região de Ouro Preto informou que a concessionária reconhece a gravidade da situação e vem conduzindo uma série de procedimentos técnicos e intervenções operacionais com o objetivo de identificar a origem da falha, que, até o momento, ainda não foi localizada de forma conclusiva.
Segundo a fonte, os primeiros registros das oscilações motivaram inspeções abrangentes em toda a rede de distribuição vinculada à subestação localizada na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), responsável pelo abastecimento de uma parcela expressiva do município.
As equipes técnicas percorreram o circuito elétrico poste a poste, realizaram inspeções visuais em áreas urbanas e rurais, empregaram drones equipados com tecnologia de termovisão para identificação de possíveis pontos de aquecimento e efetuaram substituições preventivas de componentes considerados suspeitos.
Entre as medidas já executadas pela concessionária estão a poda de árvores próximas à rede elétrica, a remoção de pipas e rabichos metálicos presos à fiação, a transferência de carga entre religadores, além da substituição de isoladores, chaves e outros equipamentos potencialmente relacionados às falhas observadas.
Algumas das intervenções chegaram a reduzir temporariamente a incidência das oscilações por um ou dois dias, levando as equipes técnicas a considerar a possibilidade de resolução do problema. Entretanto, os episódios voltaram a ocorrer, exigindo novas etapas de monitoramento e investigação.
A intervenção mais recente ocorreu nesta quinta-feira, quando técnicos concluíram a substituição de uma chave elétrica suspeita localizada na Rua Quinta de Agosto, na região do Morro Santana. Paralelamente, a empresa realizou a transferência de um alimentador para um circuito reserva na subestação da UFOP, em uma tentativa de eliminar uma possível falha interna no sistema de distribuição. Mais de dez profissionais atuam diretamente nas ações de monitoramento, diagnóstico e investigação do caso.
Conforme informado pela Cemig, trata-se de uma ocorrência considerada atípica, uma vez que, diferentemente dos casos em que a falha é prontamente identificada, a origem do problema ainda permanece indefinida. A concessionária já realizou inspeções com drones, análises por termovisão e substituições de equipamentos, sem que, até o momento, tenha sido possível determinar uma causa evidente para as oscilações.
Os sistemas automáticos de proteção da rede contribuem para reduzir o risco de danos de maior gravidade aos equipamentos domésticos. Esses mecanismos identificam possíveis falhas operacionais e interrompem momentaneamente o fornecimento de energia como medida preventiva, restabelecendo-o automaticamente em seguida.
O cenário observado em Ouro Preto não representa um caso isolado no estado. Em abril deste ano, no município de Brumadinho, representantes da Cemig participaram de reunião na Câmara Municipal para discutir a qualidade do fornecimento de energia elétrica, com atenção às interrupções recorrentes registradas no interior do município e aos investimentos previstos para a região.
Em março do mesmo ano, moradores do bairro Brodoski também denunciaram falhas recorrentes no abastecimento elétrico local. Segundo os relatos, o serviço prestado pela concessionária é marcado por interrupções frequentes, oscilações de tensão e períodos prolongados sem fornecimento — situação que, de acordo com a comunidade, persiste há anos, apesar das sucessivas solicitações de providências.
Em situações de danos decorrentes de oscilações elétricas, consumidores enquadrados no Grupo B — categoria que engloba residências, pequenos estabelecimentos comerciais e atividades rurais — podem solicitar à concessionária o reparo do equipamento danificado, sua substituição por modelo equivalente ou o ressarcimento financeiro destinado ao conserto ou à aquisição de um novo aparelho.
O pedido de ressarcimento pode ser formalizado por meio dos canais oficiais de atendimento da Cemig, incluindo a plataforma digital da concessionária, o atendimento telefônico pelo número 116, bem como agências e postos presenciais de atendimento.
William Santos



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