Do poder ao declínio: Fernando Collor em ruínas
- William Santos
- 27 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Fernando Collor, presidente que tem trilha sonora do cantor Fábio, é também lembrado pela folclórica Casa da Dinda. Localizada em um setor de mansões de Brasília, a residência mantém até hoje o letreiro sobre um portal branco, a fachada ornada com plantas bem cuidadas e o nome do ilustre proprietário, Fernando Collor.
Na tarde da última quarta-feira, Pedro Collor embarca em Maceió e chega a São Paulo após uma escala no Recife. Em companhia da mulher, Maria Tereza, e da irmã, Ana Luiza, concede uma entrevista à revista Veja. A pedido dele, o encontro ocorre nas dependências da publicação. A mulher e a irmã de Pedro testemunham suas declarações e colaboram com respostas, acrescentando informações sobre o contexto familiar e político que envolve Fernando Collor.
É um tempo de comemoração para a família, mas Pedro sente que tudo pode desmoronar a qualquer instante. “Não, nunca fiz tratamento psiquiátrico ou psicanálise. Essa pressão toda tem um objetivo claro: passar para a opinião pública a sensação de que não tenho credibilidade, que estou sob fogo cruzado”, afirma, revelando tensões profundas.
De forma irônica, comenta: “É uma questão que só Freud explica.” Tereza, sua esposa, interrompe: “O Fernando Collor faz isso porque o Pedro não se submete a ele. O Fernando vê que não pode…”, sugerindo que os conflitos familiares se misturam à política, ao poder e à disputa de credibilidade dentro da família.
Pedro acusa o tesoureiro de campanha, PC Farias, de montar uma rede de caixa 2 para desviar recursos de licitações e órgãos estatais, com conhecimento do presidente, alegando que Collor recebe uma parte dos valores desviados. Ao ouvir a notícia, Fernando mostra sua vaidade e chora, enviando áudios ansiosos que revelam o medo do impeachment, refletindo o turbilhão emocional daquele período.
Enquanto isso, a saúde da mãe de Fernando, Leda Collor, acrescenta sofrimento à família. Ela entra em coma em outubro de 1992, após quatro paradas cardíacas e complicações neurológicas, permanecendo em estado crítico por mais de dois anos. Em dezembro de 1994, o estado é considerado irreversível. Apesar dos cuidados intensivos, a recuperação é improvável.
Antes de se dedicar à política, Fernando forma-se em economia e atua como jornalista em Maceió, à frente do jornal Gazeta de Alagoas, antes de assumir os negócios da família nas Organizações Arnon de Mello. Inicia sua carreira política como prefeito nomeado de Maceió em 1979 e, em 1982, é eleito deputado federal pelo PDS. Em 1986, vence a eleição para governador de Alagoas pelo PMDB, apoiado por ampla aliança e pelos efeitos iniciais do Plano Cruzado, com campanha focada no combate à corrupção e aos altos salários de servidores estaduais.
Nacionalmente, destaca-se como opositor de José Sarney e, em 1989, elege-se presidente pelo PRN, derrotando Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Sua campanha obtém um resultado muito positivo: já no primeiro turno, recebe 30,47% dos votos válidos. No segundo turno, enfrenta Lula, sendo eleito presidente com 53% dos votos válidos. Aos 40 anos, torna-se o mais jovem presidente do Brasil e o primeiro eleito por voto direto após o regime militar.
A vitória de Collor entusiasma parte da população, mas a realidade do governo logo se revela dura. Entre suas primeiras medidas está o Plano Collor, uma das ações econômicas mais impopulares da história recente do país, que causa impacto profundo na sociedade.
O governo deveria durar quatro anos, mas tem vida curta. Um escândalo de corrupção envolvendo o presidente leva ao seu afastamento por impeachment. A denúncia vem de Pedro Collor, que acusa o irmão de envolvimento em um esquema conduzido por PC Farias, tesoureiro da campanha. Estima-se que Collor tenha arrecadado ilegalmente cerca de 60 milhões de dólares. As denúncias resultam na criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Milhares de brasileiros saem às ruas protestar, tornando-se os “caras-pintadas”. As investigações avançam, e o impeachment se torna inevitável. Em 29 de setembro de 1992, Fernando Collor é afastado da presidência, e a decisão é confirmada por deputados e senadores pouco tempo depois, encerrando seu governo e deixando uma marca profunda na história política do Brasil.
William Santos




Comentários