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A Força de Permanecer Sendo Quem É

  • Foto do escritor: William Santos
    William Santos
  • 23 de mai.
  • 4 min de leitura

Ela gosta de tatuagens e possui várias espalhadas pelo corpo, entre elas uma rosa, que certamente carrega um significado especial. Afinal, é entre espinhos que a rosa floresce, simbolizando força, superação, beleza e resistência diante das dificuldades.

Também gosta de receber flores e faz questão de demonstrar isso, não importando se vêm de amigos, amigas, ficantes ou namorados. Para ela, receber flores carrega uma emoção especial, capaz de transmitir carinho, afeto e a sensação de ser amada e valorizada.

Naruto também desperta nela uma forte sensação de nostalgia, remetendo ao tempo de chegar em casa após a aula, ligar a televisão no SBT e encontrar o anime passando. Mais do que um simples desenho, tornou-se uma lembrança afetiva de uma época marcada pela simplicidade, pela infância e pelos pequenos momentos que permanecem vivos na memória.

Uma fotografia do Instagram transformada em desenho profissional. Ilustração produzida por William Santos.
Uma fotografia do Instagram transformada em desenho profissional. Ilustração produzida por William Santos.

Em sua trajetória, encontrou alguém que não estava preparado para viver um relacionamento, e isso lhe trouxe dor e decepção. Ainda assim, conseguiu se reerguer diante das dificuldades. No meio do caminho, cruzou com pessoas que tentaram apagar seus sonhos e enfraquecer sua caminhada, mas permaneceu firme, transformando as feridas em força, amadurecimento e motivação para seguir em frente.

Muitos acreditaram que poderiam alcançar o mesmo brilho apenas tentando ocupar seu espaço, mas carisma, autenticidade e presença não podem ser copiados. Influenciadora, professora de dança e dançarina, conquistou reconhecimento sendo fiel à própria essência e ao seu jeito espontâneo de viver.

Entretanto, como toda pessoa, também possui suas imperfeições. Afinal, ninguém é perfeito — especialmente quando o assunto é futebol. Atleticana apaixonada, ama intensamente o seu time, mesmo sem saber torcer direito às vezes, o que acaba se tornando apenas mais um detalhe divertido e humano de sua personalidade.

E assim, entre passos de dança, sonhos, memórias e desafios, Bebel foi deixando marcas por onde passou, seja em Mariana, Conselheiro Lafaiete ou Congonhas. Aprendeu que algumas pessoas e momentos permanecem vivos na memória, mesmo quando o tempo insiste em seguir em frente. Existe também um pequeno trauma chamado Friends, série que ainda desperta lembranças e sentimentos difíceis, embora sua história seja conhecida quase de cor. Afinal, a vida também é feita dessas contradições: amar, lembrar, superar e continuar vivendo intensamente sem perder a própria essência.

Hoje, as mulheres também partem. Não precisam mais inventar desculpas ou anunciar despedidas silenciosas; muitas vezes, a sinceridade basta. Elas vão embora porque relações se desgastam, porque desejam escapar de ambientes agressivos, porque novos caminhos surgem, porque amadureceram ou simplesmente porque decidiram seguir em frente. Às vezes, inclusive, é necessário mudar de cidade para reencontrar paz, reconstruir caminhos e preservar a própria saúde mental.

Diante de uma sociedade historicamente marcada pela hegemonia masculina, a independência feminina ainda causa estranhamento em muitos. No entanto, homens conscientes compreendem que a dor da partida pertence aos dois lados. Muitas vezes, porém, a ruptura não diz respeito apenas a relacionamentos amorosos, mas também ao afastamento de amizades tóxicas, ambientes desgastantes e situações que corroem emocionalmente o cotidiano. Mudar de caminho, em certos momentos, também é uma forma de sobrevivência e cuidado consigo mesma.

Muitas mulheres sofrem, choram e sentem a ausência da mesma forma. Ainda assim, há quem tente transformar a solidão em ameaça, sem perceber que, para muitas delas, viver só pode significar liberdade, reencontro consigo mesmas e a possibilidade de dedicar tempo aos próprios sonhos, aos livros, aos filmes, aos amigos e à própria paz.

Essas histórias não existem para exaltar apenas a beleza exterior ou alimentar vaidades. Também não são relatos criados para agradar ou impressionar alguém. São narrativas sinceras sobre mulheres que enfrentaram tragédias, dores, crises emocionais e decepções, mas encontraram forças para continuar.

Às vezes, amadurecer cedo demais faz com que a inocência se perca no caminho. Faz com que os contos de fadas deixem de parecer possíveis e que a realidade ensine, da maneira mais dura, que crescer também significa sobreviver. Ainda assim, mesmo depois das perdas, das cicatrizes e das despedidas, permanecer sensível, sonhadora e verdadeira consigo mesma talvez seja uma das formas mais bonitas de resistência.

A depressão, por exemplo, é significativamente mais comum em mulheres do que em homens, atingindo índices cerca de 1,5 a 2 vezes maiores. Embora os homens apresentem taxas mais elevadas de mortalidade por suicídio, em razão do uso de métodos mais letais, as mulheres possuem prevalências mais altas de sofrimento emocional, ideação suicida e tentativas de autoextermínio. Esses dados revelam que muitas batalhas são silenciosas e invisíveis, travadas diariamente por mulheres que continuam sorrindo, trabalhando, dançando, ensinando e seguindo em frente, mesmo carregando dores que quase ninguém consegue enxergar.

Ainda assim, ela escolheu viver. Escolheu florescer depois das tempestades. Dança bem, cria as próprias histórias e aprendeu que sua vida possui um valor imenso, muito maior do que permanecer presa a ambientes ou relações que diminuem sua luz. Descobriu que família também pode ser construída por laços sinceros, afeto verdadeiro e pessoas que acolhem sem ferir.

Superou energias negativas, afastou aquilo que a fazia adoecer emocionalmente e permitiu-se florescer novamente. Porque, no fim, viver também é isso: reencontrar a própria força, reconstruir-se aos poucos e entender que, mesmo depois da dor, ainda existe beleza na possibilidade de recomeçar.


William Santos

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